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sábado, 25 de abril de 2015

POR QUEM OS SINOS DOBRAM

Ninguém pode ficar indiferente à tragédia dos que morrem no Mediterrâneo, numa tentativa desesperada de chegar ao futuro.
A poesia de Américo Brás Carlos, além de bela e emotiva, toma partido e não se resigna.
Ao ver as imagens dos últimos dias, lembrei-me do livro "As flores brancas do frangipani" e do primeiro de seis poemas que dedica a este drama humano intitulado "A vergonha das noites de Tarifa e Lampedusa" que aqui vos deixo:

Quando viste as minhas lágrimas
nas praias de Tarifa,
eram também por Lampedusa e pelas outras praias do mar de Ulisses,
onde chegam corpos como se fosse natural.

Perguntaste: - É a alma que te dói?
E eu ainda não sei bem dizer-te.
- Doem-me a humanidade, a compreensão
e tudo o mais em que verdadeiramente assento.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

UMA FACA NOS DENTES

António José Forte é uma das mais belas, inquietantes e poderosas vozes da poesia portuguesa do século XX.
Diz Herberto Helder no prefácio do livro «Uma faca nos dentes»: «A voz de Forte não é plural, não é directa ou sinuosamente derivada, não é devedora. Como toda a poesia, verdadeira, possui apenas a sua tradição, no caso a tradição romântica no menos estrito e mais expansivo e qualificado registo, uma tradição próximo de nós esclarecida pelo surrealismo, imemorial, dinâmica, abrindo para trás e para diante, única maneira de entender-se uma tradição...».
Para além dos poemas de Forte, o livro está enriquecido com ilustrações e fotografias de Aldina, mulher do Poeta.
É também deste Autor o livro de poesia infantil «Uma rosa na tromba de um elefante», reeditado no final do ano passado e igualmente ilustrado por Aldina.

Aqui fica um excerto do poema «O poeta em Lisboa», que muito aprecio:

Quatro horas da tarde
O poeta sai de casa com uma aranha nos cabelos.
Tem febre. Arde.
E a falta de cigarros faz-lhe os olhos mais belos.

Segue por esta, por aquela rua
sem pressa de chegar seja onde for.
Pára. Continua.
E olha a multidão, suavemente, com horror.

Entra no café.
Abre um livro fantástico, impossível.
Mas não lê.
Trabalha - numa música secreta, inaudível.


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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

FUTEBOL DE VETERANOS À QUINTA FEIRA

Como refere José Jorge Letria no prefácio de «Adágio, Romanza e Grave», Américo Brás Carlos «ao contrário de outros poetas, tem uma vida que se estrutura e afirma fora da poesia».
Lendo os poemas deste belo livro «...percebe-se que foi a vida que, na sua interioridade emocional e confessional, levaram Américo Brás Carlos a tornar-se poeta...», continua o ilustre prefaciador.
E logo acrescenta: «Não estamos, porém em presença de um capricho poético passageiro e inconsequente» já que o Autor revela «uma voz própria, pessoal e intransmissível que se detecta em vários poema desta colectânea».
Um dos meus poemas favoritos deste livro é o poema «Futebol de veteranos à quinta feira», que aqui se reproduz.

Buscando contra o tempo o nosso graal
acreditamos, enganados por instantes
que as jogadas espectaculares, mirabolantes
e aquele golo putativamente genial
marcado entre roturas e distensões,
têm o mesmo brilho que tinham dantes
e fazem o delírio de milhões.

Fintando Cronos, obstinados, com peneiras,
anda por aqui um anúncio de eternidade.
Sexagenários jogam todas as quinta-feiras,
lutando com arreganho e com vaidade
contra as suas eternas companheiras:
- As mazelas da "puta da idade".

É tal a loucura com sentido,
a paixão à solta em desafogo!
Que se tudo fosse compreendido
e os termos também fossem certeiros.
os segundos que dura o jogo
chamar-se-iam primeiros.

- Até quinta companheiros!






segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

UMA ROSA NO JORNAL DE LETRAS

A re-edição do livro de António José Forte (ilustrado por Aldina) «Uma rosa na tromba de um elefante» mereceu a recensão do prestigiado «Jornal de Letras».
Diz o JL que «Aqui, há um cavalo com um rabo cor de burro quando foge; uma pulguinha a quem deram o nome de Dançarina; um arco-íris que é uma borboleta gigante; uma abóbora-menina; e muitas bicicletas porque, para o autor, são os automóveis dos poetas».
O livro estava esgotado há muitos anos, foi agora re-editado e está disponível nas principais livrarias, como se pode ver na foto infra em que aparece o livro em destaque na FNAC de Cascais.






segunda-feira, 6 de outubro de 2014

ADÁGIO, ROMANZA E GRAVE

Tenho o grato prazer de conhecer o Poeta Américo Brás Carlos há mais de 25 anos e foi com o maior orgulho e satisfação que o convidei a publicar a segunda edição do seu «Adágio, Romanza e Grave» na Parceria.
Da sua poesia disse o Poeta A. M. Pires Cabral: «Gostos dos seus versos. Ao contrário de muita poesia contemporânea, fria, mecânica, desapaixonada, encontro neles emoção, no meu entendimento o ingrediente número um da poesia».
Acrescenta ainda o Poeta na sua recensão do livro: «Trata-se duma poesia adulta, a lembrar por vezes não apenas o referido Cesário Verde, e a sua poesia do concreto, mas também Vitorino Nemésio e Jorge de Sena».
O livro tem Prefácio de José Jorge Letria e Posfácio da Professora Doutora Ana Luísa Vilela.